O potiguar Italo Ferreira e o pernambucano Ian Gouveia brilharam nos tubos de Cloudbreak e são os dois primeiros brasileiros a ganhar duas chances de classificação para as quartas de final do Outerknown Fiji Pro. Eles passaram as baterias da terceira fase que fecharam a segunda-feira de ondas de 6-8 pés e o estreante em Fiji, Ian Gouveia, despachou um dos vice-líderes do Jeep WSL Ranking, Owen Wright. Também surfando os melhores tubos da última bateria do dia, Italo derrotou o defensor do título do Fiji Pro, Gabriel Medina, no segundo duelo brasileiro na ilha de Tavarua. Wiggolly Dantas venceu o primeiro contra Jadson André pela manhã e ainda vai disputar a terceira fase, assim como outro vice-líder do ranking, Adriano de Souza.

Italo e Medina brigaram pela vitória onda a onda, desde o tubaço que o bicampeão em Fiji surfou em sua primeira onda e valeu nota 8,10. O potiguar mostrou estar recuperado da contusão no tornozelo que o tirou de três das quatro etapas desse ano e respondeu no mesmo nível, com 7,83 num belo tubo seguido por fortes manobras. Italo escolhe outra onda boa para passar por dentro e receber nota 8,0, abrindo 7,73 pontos de vantagem sobre o campeão mundial. Medina não desiste e na primeira tentativa consegue 6,17. O tempo passa rápido para ele, chega no minuto final e Medina acaba entrando numa onda ruim, que fecha tudo.

Mas, dá tempo ainda de pegar a de trás e ele já manda uma rasgada forte com a mão na borda invertendo a direção da prancha sem perder velocidade, atrasa pra encaixar num tubo, na saída desliza num grande floater e finaliza com mais uma manobra explosiva quando já havia soado o sinal de término da bateria. Fica um longo suspense com ambos no mar aguardando a nota que demora a ser divulgada, com a expectativa sendo transmitida ao vivo para o mundo todo. Dos cinco juízes, apenas um achou que Medina mereceu a vitória dando nota 7,80 e a média ficou em 7,37, com Italo Ferreira vibrando pela vitória por 15,83 a 15,47 pontos

“Isso foi incrível, muita expectativa e ainda bem que consegui vencer”, disse Italo Ferreira. “É sempre difícil enfrentar o Gabriel (Medina), porque ele é um competidor muito forte. Estou muito feliz por estar aqui competindo novamente, surfando bem, sem pressão e pegando bons tubos. Eu só tenho que agradecer a Deus, minha família, minha namorada e todos os meus amigos que sempre estão me apoiando. Estou procurando apenas me divertir pegando boas ondas neste lugar incrível”.

A mesma situação do segundo duelo brasileiro da segunda-feira, tinha acontecido três baterias antes. Ela abriu a terceira fase e também foi decidida no último minuto. O favorito era Owen Wright, um dos três vice-líderes do ranking que foi campeão desta etapa em 2015 somando duas notas 10 na grande final, contra um estreante nos tubos de Fiji. Mas, Ian Gouveia já tinha surfado bem contra o norte-americano Kanoa Igarashi na repescagem e começou forte contra o australiano, surfando dois tubos na primeira onda para largar na frente com nota 8,33.

Owen Wright passou a ir em várias ondas, enquanto Ian esperava por outra boa. Ele demorou bastante aguardando e acertou na escolha, porque rodou mais um belo tubo que valeu 7,33, deixando o australiano precisando de uma nota excelente pra vencer, 9,33. No último minuto, enfim, Owen acha um tubaço, na saída manda três manobras potentes e fica o suspense pela nota. Felizmente para Ian Gouveia, ela sai 8,93 e sua vitória é confirmada por 15,66 a 15,26.

“Estou supercontente por finalmente passar da terceira fase pela primeira vez”, disse Ian Gouveia, um dos estreantes na elite do CT esse ano. “É um sentimento incrível estar aqui em Fiji competindo e vencer o Owen (Wright) pegando bons tubos na bateria. Ele é um dos melhores surfistas nessas ondas aqui e eu sabia que teria que fazer algo diferente pra vencer. Eu consegui começar bem a bateria, isso certamente me deu confiança e estou muito feliz”.

Com as vitórias na terceira fase, Italo Ferreira e Ian Gouveia terão duas chances de classificação para as quartas de final do Outerknown Fiji Pro e já retornaram ao grupo dos 22 primeiros colocados no ranking, que são mantidos na elite dos top-34 da World Surf League para o ano que vem. Ian vai disputar a primeira vaga direta da quarta fase com os australianos Matt Wilkinson e Julian Wilson. Já os adversários do Italo serão os vencedores da quinta e sexta baterias da terceira fase, que ficaram para abrir a terça-feira. A primeira chamada será as 7h00 em Fiji, 16h00 da segunda-feira pelo fuso horário de Brasília.

Italo e Ian ainda vão ter que defender suas vagas no G-22, mas já tiraram da lista o norte-americano Conner Coffin e o australiano Jack Freestone. Mais dois brasileiros vão fechar essa segunda rodada eliminatória do campeonato. Wiggolly Dantas vai enfrentar o recordista do segundo dia, o havaiano Sebastian Zietz, na penúltima bateria. E o campeão mundial Adriano de Souza, que está na briga direta pela lycra amarela do Jeep WSL Leader em Fiji, disputa a última vaga para a quarta fase com o australiano Stuart Kennedy.

DERROTAS BRASILEIRAS – Enquanto quatro brasileiros seguem na disputa do título do quinto desafio do World Surf League Championship tour, cinco foram eliminados na segunda-feira. Assim como Ian Gouveia, Miguel Pupo competiu duas vezes no segundo dia. Conseguiu ganhar a primeira por 12,00 a 9,23 pontos numa disputa fraca de ondas com o australiano Jack Freestone. Depois, não teve qualquer chance contra Matt Wilkinson, vice-campeão na final do ano passado com Gabriel Medina.

O australiano pegou todas as ondas boas que entraram na bateria para vencer fácil por 16,84 a 5,67 pontos. Pupo terminou empatado em 13.o lugar no Outerknown Fiji Pro com Gabriel Medina, barrado por Italo Ferreira no segundo duelo brasileiro nas eliminatórias disputadas na segunda-feira. O primeiro foi entre o paulista Wiggolly Dantas e o potiguar Jadson André pela repescagem. Jadson largou na frente, mas Guigui surfou um longo tubo que rendeu uma nota 8,17 decisiva para garantir a vitória por 14,77 a 12,27 pontos.

Além de Jadson André, outros dois brasileiros já haviam perdido nas baterias da repescagem que abriram a segunda-feira em Cloudbreak, o catarinense Yago Dora e o baiano Bino Lopes. O convidado da World Surf League para essa etapa, Yago Dora, até começou bem no primeiro confronto do dia, porém só conseguiu pegar mais uma onda e foi derrotado pelo australiano Joel Parkinson por uma pequena diferença de 10,66 a 10,33 pontos.

MELHORES DO DIA – Na segunda bateria, os tubos começaram a aparecer e o havaiano Sebastian Zietz surfou três ondas de forma incrível contra o substituto do contundido Caio Ibelli. No melhor deles, os juízes deram 9,43. No outro, Zietz saiu do tubo já em cima da afiada bancada de corais de Cloudbreak e recebeu nota 9,00 para fazer o segundo maior placar do campeonato, 18,43 pontos, contra apenas 9,53 das duas ondas computadas por Bino Lopes.

O taitiano Michel Bourez permanecia como o recordista absoluto do Outerknown Fiji Pro, com a nota 9,53 e os 18,77 pontos que atingiu em sua estreia no domingo. Até o francês Jeremy Flores bater uma das suas marcas na melhor onda surfada em Cloudbreak nestes dois primeiros dias. Ele pegou um tubaço, saiu e entrou em outro muito difícil que terminou numa sessão muito perigosa. Um dos cinco juízes chegou a dar nota 10 para ele e a média ficou em 9,57. Com ela, Jeremy Flores despachou o americano Nat Young por 17,57 a 11,10 pontos.

O Outerknown Fiji Pro está sendo transmitido pelo www.worldsurfleague.com e pelo aplicativo da WSL e no Facebook Live através da página da World Surf League no Facebook, passando ao vivo também pela ESPN+ e globoesporte.com no Brasil, CBS Sports Network nos Estados Unidos, Fox Sports na Austrália, SKY NZ na Nova Zelândia, SFR Sports na França e em Portugal e EDGE Sports Network na China, Japão, Malásia e outros territórios asiáticos.

Texto by João Carvalho – WSL South America Media Manager